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1963), claramente arquitetado por Carlos Imperial na bem sucedida tentativa de criar uma versão nacional do pop rock americano, RC é ao mesmo tempo sucesso de vendas (são desse álbum os grandes sucesso Parei na contramão e Splish splash) e alvo de críticas, que só tenderam a aumentar com a radicalização do processo político e dos ânimos no âmbito da cultura. Querem acabar comigo\nem eu mesmo sei por que. Acreditamos que por detrás da maior parte das críticas, a noção de importação ocupa lugar de destaque, sendo aquilo que irá retirar definiti vamente sua obra do caminho proposto pela chamada linha evolutiva da música popular brasileira, termo cunhado por Caetano Veloso, já no período Tropicalista, em grande medida visando defender o caráter nacional da Bossa Nova, João Gilberto em especial[2].
Mas existem outros lugares legitimados na música popular a partir de onde a produção de RC pode ser considerada inautêntica. O samba, por exemplo, não partilha do princípio de autoria – Sinhô, um dos responsáveis pela difusão em massa do gênero, lançava um politicamente incorreto “samba é que nem passarinho, de quem pegar primeiro” – tal como colocado pela MPB. Muito da força do samba está na criação daquela forma heterônoma que falamos acima, estabelecendo formas de fixação da fala que mantêm o esquema de improvisação da roda de samba, aberto a todos aqueles que tiverem capacidade de versar. Nesse esquema, mantido até hoje em alguns contextos, cria-se o refrão, cantado coletivamente, e depois é fixada uma grade melódica a partir da qual os participantes podem criar versos, relacionados com o tema proposto. Mesmo quando um samba desse é fixado em uma gravação, os elementos derivados da oralidade são mantidos, sendo no mínimo arbitrário considerar que está presente ali uma subjetividade racionalizadora em sentido forte, por melhor e mais bem estruturado que esteja o samba em questão. Aliás, boa parte dos esforços dessas gravações consiste em manter o clima de espontaneidade, improviso e criação coletiva. A autoria dissolve-se, assim como a idéia de obra. Claro que nem todo samba é assim – boa parte da obra de Paulinho da Viola, por exemplo, caída pro choro, não é.
O que procuramos realizar até agora foi uma espécie de mapeamento dos lugares a partir de onde são construídos dois dos principais discursos de desqualificação do rei - que não são os únicos, digamos desde já - operação que acaba por relativizar a própria noção de importação, matriz principal dessas críticas. Notamos como a noção de autoria se complica na forma canção brasileira. E vimos como a ideia de uma marca de origem a conferir legitimidade às obras é complicada, ainda mais em países de matriz colonial, como no contexto brasileiro, posto que, nesses casos, o próprio conceito de nação é já uma adaptação importada. Entretanto, afirmar que o estilo de RC é tão adequado ou “próprio” quanto outros não significa eliminar a questão da adequação à matéria local. Existem sim, inúmeros exemplos de formas mal estruturadas por não atentaram para as contradições locais, resultando numa espécie de pastiche mal elaborado. E não só no plano da canção, evidentemente. Todas as deficiências técnicas do Romantismo literário, por exemplo, podem ser compreendidos a partir dessa chave. Essa postagem foi diretamente extraída do blog do Falcão, o guru aqui do Escapar Fedendo. Trata-se da micronovela mais non-sense já realizada em solo tupiniquim - O desgosto que tua mãe me deu. Vale a pena conferir.
Montado no estapafúrdio sucesso da trama neotropicalista "O desgosto que sua mãe me deu", e devido a pedidos suplicativos de mais de uma pessoa, resolvi comovido, publicar neste lugar bloguístico todos os capítulos da história até aqui contada. Outrossim aviso, que é preciso muita perspicácia, abnegação e descaração por parte do leitor, para o compreendimento total da coisa, mas que no frigir dos ovos todo mundo sai perdendo.
Outra coisa: O vídeo aí em cima, como sua pessoa deve ter visto, é a materialização videografista do 14º capítulo, postada no Iutúbi pelo André Pinheiro, que num esforço de produção conseguiu obrar o dito cujo.
Capítulo 01: Cleusa briga com Rui jr. porque ele meteu o dedo no cu do cachorro. Jô diz a Luis que ama seu pai.
Capítulo 02: Agamenon reclama de dores na panturrilha e Fideralina lhe massageia a área genésico/escrotal esquerda.
Capítulo 03: Raimunda ver o Pe. Dedé com uma revista de mulher nua na sacristia. Leo mostra a Júlia uma verruga no pau da venta.
Capítulo 04: Jojó ordena a Hermenegildo que ele tire a roupa. Mara diz que vai vender seu voto e Creusa fica indignada com o preço.
Capítulo 05: Eliude encontra Geralda morta, na edícula, nua e com uma bandeira do Corinthians enfiada no fiofó. Mané rir e desmaia.
Capítulo 06: Padilha troca o curativo da hemorróida de Licurgo. Mirandolina confessa a Jaime sua tara por pirulitos.
Capítulo 07: Osmilton acaba de comer Jarina e tem uma crise de riso. Dr. Menelau aplica-lhe 500mg de Ampicilipicanal. Mel sai do banho.
Capítulo 08: Castor diz a Robnel saber quem matou Geralda, mas só conta em troca de uma lata de leite Ninho cheia de maconha.
Capítulo 09: Ugo pega Marivaldo fazendo bilu-bilu nas partes íntimas ao brechar Edcleide no banho. Sandy ganha um vibrador sextavado.
Capítulo 10: Dr. Lulu fala a Alfeu que seu caso é de afrouxamento esfinctal adquirido. Ted liga pra funerária e alguém diz alô.
Capítulo 11: Rui Jr. prende os testículos do gato na dobradiça da porta. Apolinária recebe o resultado do exame de fezes e tenta o suicídio.
Capítulo 12: Orestes diz nem ligar pra morte de Geralda, lembra de um fio-terra que ela lhe aplicou a contragosto. Clóvis toma o antibiótico.
Capítulo 13: Eunápia surpreende Militão mijando na pia. Facundo reclama da depilação de Cosma. Celeste e Fúlvio brigam por causa de uma broa.
Capítulo 14: Raimunda encontra Atanásio dentro do WC masc. da rodoviária. Grijalva aproveita-se do decúbito dorsal de Liduina. Ernest boceja.
Capítulo 15: Licurgo estupefata-se com os dotes linguo-bucais de Belarmina. Acrísio beija o anel de Genival no adro. Argeu liga o motor-bomba.
Capítulo 16: Valda estranha Licurgo passar em sua rua, de fraque&cartola, em cima de uma carr oça com 35 raparigas. Pablo arrota na ante-sala.
Capítulo 17: Petrônio se revolta com uma tatuagem que Mirandolina fez na pelvis. Damásio confessa sofrer de um desvio objetal na libido. Chove.
Capítulo 18: Cleusa jura ter visto Geralda chupando uma manga. Áurea convida Alfeu pra espremer um furrúnculo na virilha de Judete. Passa o trem.
Capítulo 19: Clodoaldo leva um pé-de-cabra para Edcleide. Pe. Dedé encontra dez carrapatos na anágua de Cosma. Chico e Anália fazem um 69 em pé.
Capítulo 20: Osterno engancha o saco na porta do box. Dr. Ary encontra um caroço de jaca no peritônio de Geralda. O elevador para no térreo.
Capítulo 21: Joelma põe a cueca de Ralf no varal, passa uma vaca e come. Rui Jr. tenta botar o papagaio dentro do microondas. Sonja ri e baba.
Capítulo 22: Dogival se emociona ao ver o nome de sua mulher Hermenegilda, tatuado na genitália de Terêncio. Jarina muda o botijão de gás.
Capítulo 23: Clésio vê Rolfo com um bustiê que foi de Geralda. Adam sodomiza Jussara em cima da sinuca. Janiê sobe a escada e chega lá em cima.
Capítulo 24: Tancredo engole a dentadura comendo banana. Agatônio amputa o pênis jogando pebolim. Púlio pega Nairan bulindo nas partes de Zefa.
Capítulo 25: Valdirene diz a avó que fez um serviço de língua em sandoval. Cloró presenteia a mãe de Ted com uma jaula.Gengis diz: Arre égua!
Capítulo 26: Emengarda oscula o noivo de uma prima de uma vizinha de chiquinho Escarpa, atrás do muro da cadeia. Linaura cospe no caramanchão.
Capítulo 27: Cosma confidencia ao trocador que vai ceder à proposta proctomasoquista de Licurgo. Plínio contrai gonorréia na missa de 7º dia.
Capítulo 28: Procópio se opera da fimose. Ariosto sobe num coqueiro pra comer um sushi. Adão descobre que Valda usa um pivô. Corre um boato.
Capítulo 29: Lucrécia masca um supositório pensando ser chiclete. Vanja sobe num pau-de-sebo. Dr. Oriel esquece um guarda-chuva dentro de Jô.
Capítulo 30: Hermínio se assusta ao acordar e ver Eraldo segurando seu bilau. Jarina diz que não aguenta a inhaca de Aderaldo. Peidam no culto.
Capítulo 31: Olga chama uma ambulância, vem um trator. Oriel vê Josué e Clóvis fazendo um troca-troca no puff. Dedé foge do canil. Cosma cospe.
Capítulo 32: Creuza diz a Rovan que está com um formigamento vulvar. Nalda percebe uma protuberância em Aprígio. Alf se molha ao tomar banho.
Capítulo 33: Querubina pede a Che que encha o pote. O delegado solta Licurgo quando ele diz ser filho de Bento XVI. Íria engole. Vem Chuva.
Capítulo 34: Plinio bebe 1litro de oleo de freio e corre, nu, atras da Madre superiora. Marineusa chama o pastor Gotardo de "feladaputa". Bebem.
Capítulo 35:Berlamina urina na piscina, Natanael acha legal e defeca. Couto diz a Franchá que acha que trincou a base dos testículos. Hebe chora
Capítulo 36: Aprígio revela a Jarina sua vontade de por Eike Batista como dependente, no IR. Matias convida Petrônio para um banho de assento.
Capítulo 37: Sonja faz um bolo e chama Juciê pra bater os ovos. Jussara conta a Valda que ficou com uma ferida no mocotó, de tanto fazer sexo.
Capítulo 38: Lupércia não consegue convencer Oriel a comprarem um emo na feira. Zefa aprende a babar pra cima. Galeano envia o material. Sim?

feição ainda mais perversa, posto que a própria ideia de nação toma forma negativamente, a partir do mesmo princípio de exclusão da alteridade, naquilo que Schwarz identificou como o esquema do nacional por subtração. Um tipo de formação social em que as instituições funcionam verticalmente, alçando alguns privilegiados à categoria de cidadãos, enquanto a maioria absoluta é excluída do Estado, numa distensão moderna do sistema escravocrata. O crítico desenvolveu esse conceito como uma espécie de complemento a outro de fundamental importância no debate intelectual brasileiro, as idéias fora de lugar – sistema de importações e deslocamentos das idéias, próprio aos países periféricos - para dar conta do movimento que faz com que a impropriedade das formas importadas seja re-configurada no interior do sistema local. Basicamente, é por esse deslocamento em relação à matéria histórica nacional que as instituições importadas – entre elas a literatura - são apropriadas enquanto instrumento de dominação. O que seria um problema – o divórcio da forma importada com a realidade local – acaba servindo aos propósitos de segregação das elites, encontrando funcionalidade própria. E assim, a impropriedade se faz norma.