segunda-feira, 19 de maio de 2008

Um desabafo – pra que intelectual em um país que tem o Chapolin como herói nacional?


OS IRMÃOS MARX

Introdução
Depois de receber algumas críticas acadêmicas quanto ao conteúdo do meu blog – não com relação ao que era dito, mas à escolha dos os objetos aos quais os comentários se dirigiam – lembrei de algumas coisas que estavam guardadas em meu lado sombrio, mas que eu ainda não posso esquecer de todo, uma vez que continuo escrevendo e refletindo, ainda que de forma diversa e em outro sentido. Além de me jogar na cara o que eu sempre tento esquecer – pra poder continuar fazendo o que eu gosto: pra quem eu escrevo? Ou melhor, pra quem se escreve?

Desenvolvimento
Para ser levado a sério frente a classe intelectual do país (kkkkkkkkkkkk), é preciso argumentar que o narcisismo lírico felliniano consegue transpor mais radicalmente as barreiras da forma desmaterializada da mercadoria do que o desconstrutivismo empreendido por Godard. Se conseguir demonstrar a ligação dos procedimentos técnicos desde com a estética de Jerry Lewis, desmoralizando-o frente a todos (menos a ele mesmo), ainda melhor.
Precisa-se mostrar como o pastiche empreendido por Stravinsky (sem esquecer de mencionar que a partir de uma perspectiva adorniana) conseguiu suplantar o emparedamento auto referencial – em comunhão espiritual com Joyce e Proust – do dodecafonismo de Shoemberg no desvelamento do caráter mais material da impossibilidade narrativa em um mundo desprovido de subjetividades plenas.
Tem-se que reconhecer Kant em Hegel, e Hegel em Marx, com o risco de superficialidade hermenêutica e miopia ideológica (esse termo aqui anda meio fora de moda, assim como citar Lênin ou Luxemburgo (a Rosa, não o Wanderley), mas ainda serve pra se fingir de esquerda. E é absolutamente necessário se fingir de esquerda, mesmo pra expressar a mais conservadora das opiniões. (Nota: pobre bom, rico mau).
É imperioso estar ciente do substrato histórico e social que conforma e possibilita a ambivalência formal machadiana.
É preciso fazer entender as raízes do contrasenso que leva o aspecto revolucionário do conceito de montagem de Einsenstein a ser apropriado em contexto contemporâneo pelas técnicas de edição dos videoclipes da MTV, tornado-a assim inofensiva. Note-se a importância de se grafar videoclipe, ao invés de simplesmente clipe, para denotar certo distanciamento, como quem diz ‘entendo tudo, afinal é banal, mas detesto’.
Tenho que demonstrar coerentemente porque é ruim aquilo que eu gosto, como futebol e novela, e compreender direitinho como é que aquilo que me torna mais humano e concreto – futebol e novela – em verdade me desumaniza e aliena, sendo portanto, coisas do diabo.
Conclusão
É preciso manter uma distância segura, conformista, idiota e funcional (emocional), disfarçando e (re)produzindo nossa cotidiana escrotice canalha na linguagem.

Em suma: é necessário ser deliberadamente ridículo e canalha, pois é impossível se produzir 'conhecimento intelectual' em um país onde a linguagem se converte, sem mediação e por vontade própria, em política.

Próximos passos: publicar uma crítica apologética ao melhor funk já composto: Crééééééu

sábado, 10 de maio de 2008

O corajoso e polivalente Mel Brooks


Sei que ninguém está muito interessado em opiniões pessoais sobre qualquer assunto. O negócio é fazer download... ainda mais quando os textos são grandes assim. Eu pelo menos não tenho muita paciência pra ler artigos ou ensaios longos na net. Mas o legal da internet é isso... como não é pra vender, voce pode publicar o que quiser sem se importar se alguem vai se interessar ou não.. e no fundo no fundo... vai que alguém se interessa... Então vamo ae!
Eu gosto muito de Month Python. Acho os caras fodas de verdade. Mas seu humor é refinado demais pra mim, criado no Brasil a base de Chaves e Trapalhões. Piadas sobre declinação latina (como na Vida de Brian), por mais engraçadas que sejam, e por mais que sejam feitas pra ridicularizar, tem um sabor acadêmico de classe média que se distância um pouco (verdade que, infelizmente, não o suficiente) da minha pegada. Eu dou risada com os caras, mas o que me faz mijar e chorar mesmo é o Chaves (ainda vou escrever alguma coisa aqui sobre o seu Madruga, a meu ver um comediante verdadeiramente extraordinário), Chaplin, Corra que a polícia vem aí, Borat, Mel Brooks, Ronald Golias, uma coisa por assim dizer menos sutil, mas igualmente excelente. Lembrando ainda que não se trata aqui de juízo estético, mas só uma consideração daquilo que eu acho mais divertido, ou que eu prefiro, por uma conjunção de fatores subjetivos e históricos.
Mel Brooks é geralmente definido como um excepcional diretor de paródias, um tipo de comédia que satiriza alguns gêneros hollywodianos. Fez sátiras de filmes de ficção científica (S.O.S – um louco a solta no espaço), faroeste (Banzé no Oeste), suspense (Alta-ansiedade), filme mudo (A última loucura de Mel Brooks), terror (Jovem Frankstein e Drácula, morto mas feliz), filmes bíblicos (História do Mundo Parte I), aventura (As loucas aventuras de Robin Hood), sempre de forma competente e, principalmente, muito engraçada. Mas ainda que seja um verdadeiro mestre no gênero, tal definição só recobre um aspecto do talento do sujeito. Seu tipo de paródia difere bastante de outros filmes clássicos do gênero – a típica comédia besteirol, que se tornaria uma verdadeira indústria a partir dos anos oitenta. Por exemplo, o tipo de humor da turma do ZAZ, autores de clássicos como (Apertem os cintos, o piloto sumiu, Corra que a polícia vem aí, Top Secret, etc. Isso porque Brooks não direciona suas tiradas para os clichês de cada gênero que, nos melhores casos, ao serem expostos ao ridículo tem seu caráter absurdo (de coisa forçada, construída) desmascarado, ou apenas servem de pretexto para fazer uma piada – como nos inúmeros besteiróis adolescente insuportáveis. É claro que ele também faz isso, mas seu diferencial consiste em considerar o gênero enquanto portador de uma determinada ideologia, que será criticada ou desmascarada a partir da paródia. Algo como voltar um gênero contra ele próprio, inserindo (ou retirando) algum elemento essencial a este, para que este crie um curto circuito em sua estrutura, que é fechado por princípio, ou seja, possui regras e valores que precisam ser respeitados para ser considerado enquanto tal.
Primavera pra Hitler (1968), o primeiro filme de Brooks, conta a história de um produtor e seu advogado, encrencados financeiramente, e que tem uma idéia bastante original pra sai desta: montar um espetáculo para que seja um total fracasso. Para tanto contratam atores ruins, equipe péssima, e resolvem montar um musical romântico na Broadway cujo mocinho é Hitler. Nem precisa dizer que a peça se torna um sucesso de crítica e público. O roteiro fantástico é uma crítica tanto ao sistema de entretenimento americano (teatro, musicais), que aceita qualquer coisa desde que se transforme em ouro, como é também uma espécie de cartão de apresentação do diretor, como que dizendo qualquer coisa, tratada da maneira adequada, pode ser piada. Isso sem contar que a turma do politicamente correto (que oculta a sujeira debaixo do tapete pra fingir que ela não existe e poder levar uma existência sem culpa) fica de cabelo em pé quando vê humor sendo feito a respeito do nazismo. E como se não bastasse, Mel Brooks (eita judeu porreta esse) ainda repete a dose no extraordinário Sou ou Não Sou, uma adaptação de uma peça de teatro sobre um grupo de teatro na polônia na época da ocupação alemã. Outro roteiro bastante corajoso, com piadas e atuações fabulosas. O cara é também muito talentoso como ator, diga-se de passagem.
Outro exemplo de sátira fantástica de Brooks está naquele que é talvez seu melhor filme, Banzé no Oeste (1974). A história: um ‘típico’ bandido de faroeste quer destruir uma cidade pra poder construir sua estrada de ferro no local. A partir desse ultra clichê de bang bang (essa onomatopéia é muito melhor que o nome faroeste), Brooks começa a subverter tudo. Começando com a grande sacada do filme: um dos planos do bandido é colocar um xerife negro na cidade. Nem pense em baboseira como James West, em que o mocinho poderia tanto negro como branco, amarelo, verde ou roxo que não faria a menor diferença na estrutura da obra. O filme tem algumas de suas melhores piadas tiradas de situações de racismo, e outras tantas com relação ao homossexualismo, com drogas, manipulando esses elementos pra fazer humor, sem tratá-los como tabus, mas tampouco considerando como a coisa mais normal e saudável do mundo.
A crítica ao racismo (mal) dissimulado nos faroeste – considerado portanto como um representação ideológica da estrutura daquela sociedade - gera alguns dos momentos mais hilários do filme, como quando o xerife e seu parceiro (Gene Wilder, loiro de olho azul) decidem chamar a atenção de dois membros da Klu Klux Klan – pois é, Brooks mistura tudo mesmo, tudo serve como piada. Wilder grita para os dois ‘ei, olha o que eu tenho aqui’, e o xerife aparece por detrás de um rocha dizendo do modo mais caricatural possível, como um monstro de filme B, ou um negro dos filmes de Hollywood e das nossas novelas: ‘eu onde estão as mulheres brancas?’. Ou quando um grupo de índios cerca uma caravana, e estas começam a andar em círculo para se proteger, só que a carruagem dos negros é proibida de entrar no círculo junto com a dos brancos, e fica então rodando pateticamente em torno de seu próprio eixo, sozinha. Ou ainda em outra cena, após uma velhinha responder aos comprimentos educados do xerife com um ‘vai a merda crioulo’ (níger), Gene Wilder fala ao xerife: “O que você esperava? Seja bem vindo filho... sinta-se em casa... case-se com minha filha? Lembre-se, eles não passam de agricultores... são gente da terra... o barro do novo oeste. Você sabe... babacas idiotas!”. O que Brooks faz nesse filme não é apenas uma paródia do gênero (na verdade, são muitos as escolas parodiadas no filme, desde musicais até desenho animado, nada escapando a demolição – literal, como se observa ao final), mas uma crítica pesada à ideologia (no presente) transmitida pelo mito fundacionista do velho oeste, com direito a um tom muito característico dos anos 70.
Humor inteligente, sem concessões, ousado e corajoso, como está difícil de encontrar nos filmes ultimamente. O que de melhor se tem feito em termos de humor tem de ser procurado nos desenhos – e salve Simpsons - desde que aquela boa safra de comediantes dos anos 80, saídos de quadros humorísticos da TV (John Belushi, Eddie Murphy, Bill Muray, Steve Martin, Leslie Nielsen, Chavie Chase, etc...) ou morreu ou simplesmente perderam a graça. Agora Ben Stiler e Adan Sandler ninguém merece. Por favor, até o Ernest que passava todo dia no SBT (lembram dele) é mais engraçado do que esses caras.
Filmografia:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Di Melo - Di Melo (1975)


Historinha: Estava eu curtindo uma balada num lugar chamado Aldeia Turiassú entre a Pompéia e a Barra-Funda uma noite destas...Na ocasião, no palco rolou um Show da Banda Glória [divina!] e o Dj Tutu mandou bala na pista com sua discotecagem 'brasileira não clichê' [não tão menos divina!]...Entre um Jorge Ben e um Tim Maia Racional, ele colocou um Som ['O' som] que posteriormente em conversa pessoal, ele me passou a referência, que sem pestanejar, fui atrás e me deleitei. A música em questão chamava Kilariô [escute no youtube, clique aqui.], de um músico de um disco [que pena!] chamado Di Melo. Eis a história [estraido do blog Ouro de tolo]:

"Se você desconhece este cidadão, saiba que tá perdendo um som que não é brincadeira. Di Melo é um um cantor e compositor pernambucano que diz a lenda, sempre estava bem acompanhado. Mas isso não vem ao caso hehehe, o que vem ao caso é que esse rapaz é um dos muitos músicos injustiçados Brasil a fora. Considerado um dos pioneiros da música soul aqui no Brasil, Di Melo é desconhecido do grande público e é até difícil de compreender como o cidadão ficou no anonimato fazendo o som que faz. Vai entender...
Di Melo só tem um disco lançado, e pasmem(música de suspense)...é esse mesmo que eu vou deixar aí para os apreciadores de boa música baixarem. Soul, funk e Mpb de primeira no mesmo prato e para complicar mais a situação, os arranjos são do "bruxo dos sons" Hermeto Pascoal. Esse é discaço, vale a pena e essa tal de "Se o mundo acabasse em mel"...só pode ser brincadeira.

Músicas:
1 .Kilariô (Di Melo)
2. A vida em seus métodos diz calma (Di Melo)
3. Aceito tudo (Vidal França - Vithal)
4. Conformópolis (Waldir Wanderley da Fonseca)
5. Má-lida (Di Melo)
6. Sementes (Di Melo)
7. Pernalonga (Di Melo)
8. Minha estrela (Di Melo)
9. Se o mundo acabasse em mel (Di Melo)
10. Alma gêmea (Di Melo)
11. João (Maria Cristina Barrionuevo)
12 .Indecisão (Terrinha)"

ps: Chamo atenção para as três primeiras faixas. Geniais!

Download do disco [AQUI]

sexta-feira, 18 de abril de 2008

“Detalhes tão pequenos de nós dois” – Os que são lindos de morrer.


Dorival CaymmiCanções praieiras (1954) – Gênio. Simplesmente o disco mais bonito do mundo. Todas as canções são primorosas, a interpretação vem do fundo da alma, como se a morte – tema principal junto com o mar- viesse cantar pra gente. Basicamente voz e violão, a beleza dessa obra prima é inexplicável.
Uia... o link. Na verdade aqui tem os dois primeiros discos do cara em um só. Enfim, aquela velha história: comigo, malandro só sai no lucro.
Pegue seu moço, num se avexe:

Milton Nascimento - Clube da Esquina (1972) – O equivalente mineiro do movimento tropicalista tinha que sair assim. Meio desconfiado, digerindo devagar as informações, pegando aquela parte do Brasil que fica escondida entre as montanhas e ajuntando com um jazz mais sutil, pra fazer uma coisa menos escandalosa, mais ao sul, e profundamente nossa. O lado melancólico do país, que não aparece na propaganda mas fica bastante claro num poema de Drummond, por exemplo, em um samba canção, ou em uma moda de viola. O resultado é um disco lindo do começo ao fim, uma música mais bonita que a outra. Todos os caras (Milton, Beto Guedes, Lô Borges, Flavio Venturini) no melhor momento de sua carreira. E é claro, o arranjador era o Deodato.
DOWLOAD: http://rapidshare.com/files/40104039/1972_Clube_da_Esquina_aisporecords.zip.html

Caetano VelosoJóia. Gênio. Caetano faz um trabalho experimental e reduz a canção a seu mínimo. Voz, um ou outro instrumento, poucas palavras, silêncios, melodias e letras inspiradas. O resultado é o disco ‘minimalista’ mais bonito da história da música brasileira. Existe outro?

Luis GonzagaColetânea 50 anos de Chão. Gênio. Não adianta. Com tudo que já se fez de literatura regionalista, cinema novo, música de protesto e tudo o mais, retratando as mazelas e belezas do sertão, nada conseguiu ir tão fundo e emocionar mais do que as músicas de Luis Gonzaga. Na voz dele, e no estilo que ele desenvolveu e deu forma definitiva (pode-se dizer que o cara criou a forma estética do nordeste, e tudo que há de regionalismo na nossa música deriva daí), sentimos o lado sertanejo do país com uma intensidade que não existe em outro lugar, tanto no lamento da dor como nos momentos mais alegres. Gonzagão é o próprio nordeste tornado música, um dos monstros da música brasileira.
Rouba aê:
CD 1
http://lix.in/2c28d482
CD 2
http://lix.in/b396648f
CD 3
http://lix.in/30a74d20

Roberto CarlosRoberto Carlos (1969). Ah... o bom e velho rei. O Roberto é assim, e nesse intervalo entre o fim do ie ie ie e a descoberta do gênero brega romântico que lhe é característico, ele conheceu Tim Maia, conviveu com os tropicalistas e achou que a solução para seus problemas de público seria a música negra (que além de tudo é cristã) e arranjos mais elaborados. Juntando isso a seu talento excepcional como intérprete, o cara realizou alguns dos melhores discos da nossa música (entre 67 e 71). Essa pérola poderia estar também na lista de discos para dançar, mas canções como “As flores do jardim da nossa casa”, “Sua estupidez” em versão definitiva, a maravilhosa “Aceito seu coração”, fazem com que eu a coloque nessa lista de cá. Mas todas essas mescladas na dose certa com algumas mais swingadas e alguns funks exelentes como “Nada vai me convencer”, “Não vou ficar” e “As curvas da estrada de santos” em versão melhor (pasmem) que a da Elis. Maravilhoso.
Saca o link, bixo:
http://rapidshare.com/files/95724408/Roberto_Carlos_1969_DL_Music.rar

João Gilberto O Mito (1959 – 61) Gênio. Pois é, os divisores de água, os discos que fizeram a história da música brasileira dar uma guinada irreversível, o marco zero que possibilitou a existência de um conceito como MPB, a condição de possibilidade de toda a nossa música moderna, e que permitiu o desenvolvimento de alguns dos maiores artistas da nossa história. Enfim, sem sombra de dúvida, um dos momentos mais importantes de nossa vida cultural no século XX, para o bem ou para o mal – afinal, é elitista pra caralho. Reunidos aqui, os três primeiros discos de João Gilberto, arranjados por Tom Jobim. Um marco, que é bonito pra caralho e não é chato igual a muita coisa posterior da Bossa, do próprio João Gilberto, ou do Tom Jobim.
Desafina aqui:
http://rapidshare.com/files/17056857/JG_O_Mito.rar

Elis Regina e Tom JobimElis e Tom (1974). Geniais. Só pela gravação clássica de águas de março já valeria estar aqui, um dueto que provavelmente é a melhor gravação da nossa música. Mas é certo que o disco mantém o mesmo nível. Cada canção é uma pérola, minuciosamente trabalhada. Juntos, nossa maior intérprete, já madura o suficiente pra usar sua voz como um outro instrumento, sabendo melhor do que ninguém que nem só de afinação sobrevive a música; e um dos arranjadores mais importantes da história moderna da MPB, além de excelente compositor (agora cantor.... hmmmmmmmm). Repertório impagável – é verdade que algumas das versões dão sono, mas mesmo essas são lindas - músicos excelentes e em ótima forma. O disco foi muito saudado antes mesmo de estar pronto –especialmente pela elite universitária popular - e depois que apareceu só confirmou o talento dos caras envolvidos, e o quanto é ridícula a nossa elite. E é claro, confirma também que a Elis é um monstro, a maior de todas as nossas intérpretes.
Demorô:
http://www.mediafire.com/?92yxxmm53pj

Clementina, Geraldo Filme, Tia DocaO Canto dos Escravos. Esse disco é resultado de um trabalho de antropologia e foi lançado junto com um livro, que eu nunca vi, a respeito das músicas cantadas pelos escravos no cativeiro. A escolha dos intérpretes não poderia ter sido mais feliz, pois além da voz e estilo de interpretação fantásticos, todos são descendentes diretos de escravos, o que torna a interpretação realmente emocionante. E as faixas não são estilizadas, sendo basicamente percussão e voz. Um trabalho muito bonito que nos ajuda a relembrar um pouco dum período cruel da nossa história (outro deles), e da força daqueles que dele participaram.
Putz... desse aqui eu só achei link zoado na net.. foi mal aí... posto outra hora, prometo! E o pior é que é justo esse que todo mundo quer, é lógico! O mais dificil de achar...

Maria Bethania Drama (1972) – Apesar de possuir uma das vozes mais lindas do país, e saber interpretar como ninguém, Bethania tem o mesmo defeito do Roberto Carlos, Milton Nascimento, etc... é no fim das contas, brega pra kct. Daí o desperdício de todo seu potencial com gravações de mau gosto. Só que mau gosto de classe média, uma espécie de Robertão dos ricos. Mas quando ela acerta, como nesse caso, a gente tem que reconhecer que a mina é foda. Versões diretas, sem conversa mole, por vezes esparramando paixão por todos os poros (mesmo em seus melhores momentos, ela não deixa de ser exagerada), mas de extrema competência, um Paulo Vanzolini genial, dosagem muito bem realizada na escolha do repertório, músicos muito competentes e arranjos excelentes (tropicalismo discreto), valorizando a potência da moça, tudo isso na voz feminina mais abençoada que já apareceu no país. Um belo trabalho.
Clica meu nego....
http://rapidshare.com/files/20930797/Maria_Beth_nia_-_Drama__Anjo_Exterminado__-_1972.rar

Vital Farias, Xangai, Elomar e Geraldo Azevedo - Cantoria I (1984) Não é um disco típico de cantadores nordestinos, porque esses quatro não são cantadores ou violeiros no sentido mais tradicional do termo. Elomar tem um que de eruditismo experimentalista regional (nossa, isso ficou ótimo), Vital Farias algo de psicodélico e Geraldo Azevedo está ligado à tradição pirada do udigrudi pernambucano, conservando fortes traços de MPB – certo que da MPB violeira. Desses acredito ser Xangai o mais popular, no sentido estrito do termo. Em todo caso, esse disco que marca o primeiro encontro entre essas personagens só tem pérolas, uma música mais linda que a outra, interpretadas de forma magistral, nos levando a uma vigem por regiões distantes e por tempos que já se foram. Sem contar que tem a melhor versão de “Ai que saudade d’ocê”, e uma das músicas mais lindas do Geraldo Azevedo, “Novena”. Um disco lírico e ao mesmo tempo divertido, como só os nordestinos são capazes de fazer, com interpretações marcantes – o que é essa voz do Elomar meu povo? – e canções maravilhosas.
Eita trem bão danado...
http://lix.in/5e6f5a00

Gilberto GilRefazenda (1975) Gênio. Possivelmente o maior da história da música brasileira, Gilberto Gil é a própria música. Possui o talento raríssimo de conseguir transpor qualquer sonoridade de qualquer região do mundo pra solo tupiniquim. Um disco de música indiana cantado em português pelo cara seria sucesso de público, de crítica, e de quebra seria um marco na história dos ragas. E isso em música popular é o mais difícil de se fazer, porque toda canção possui uma materialidade que a mantém solidamente ligado ao solo de onde brotou. Daí os gêneros intransponíveis, como o samba, e a genialidade de um japonês que conseguisse fazer um disco muito bom no estilo, em japonês. Dotado de percepção e inteligência musical que só caras como Beethoven, James Brown, Hermeto Pascoal, Miles Davis, etc, tem, e que só aparecem de tempos em tempos, tudo que o cara toca vira ouro. Eu diria, forçando a barra porque o cara merece, que até quando ele erra, acerta, ou vai dizer que as músicas ruins do Gil não são muito melhores que a média das músicas que a gente ouve por aí? Além de ser esse monstro como compositor, o cara é um dos melhores intérpretes do país. Ninguém consegue acompanhá-lo nas improvisações, muda de tom como se mudasse de tênis, respira ritmo, e tem um carisma... enfim.. na minha opinião, o mais completo artista brasileiro na atualidade. E esse disco é uma pérola. O projeto tropicalista havia acabado de vez no disco anterior (outra obra prima – Expresso 2222) e o cara agora se voltava de vez para as misturas que havia aprendido a fazer, sem a preocupação de parecer experimental, continuando o reencontro com suas raízes, com a música pop, cantando e compondo como nunca, arranjos maravilhosos (ah! as orquestrações inteligentes...), melodias lindas, tocando pra kct... enfim, o resultado tai procê ver, refazendo tudo.
Refaça tudo aqui:
http://rapidshare.com/files/98075249/Gilberto_Gil_-1975-_Refazenda__320_.zip

sábado, 12 de abril de 2008

Um pouco de John Rambo



Na expectativa pela estréia do Rambo 4 – até comprei a versão pirata, mas a gravação é do cinema, um lixo – fui rever o primeirão. Como andam dizendo por aí as más línguas, esse filme tem uma maior ‘densidade psicológica’ (é claro que não é pra ninguém ficar esperando um Bergman ou um Fellini, afinal, o cara é o Rambo, porra, e não tem tempo pra essas frescuras!) ou pelo menos o herói é mais ‘atormentado’ e menos senhor de si do que nos demais filmes da trilogia. Mas o que mais me chamou atenção dessa vez foi um discurso feito pelo protagonista ao final do filme: uma puta apologia à guerra do Vietnan, e aos heróis que lá morreram ou que conseguiram retornar para casa, para serem injustiçados e tratados como marginais, quando na verdade são eles os verdadeiros heróis americanos, que amavam seu país e lutaram bravamente por ele. Abandonaram tudo por ele.

E eu sentadinho assistindo a tudo isso e pensando: nossa, com que eu nunca reparei nessa MARAVILHA antes (tive um momento de êxtase parecido com quando eu ‘descobri’ o símbolo nazista sendo queimado no primeiro Indiana Jones, ou o mesmo símbolo no episódio do Chaves do futebol americano). Depois fiquei matutando no enredo do filme, tentando fazer a ponte com esse final.

John Rambo é um cara que voltou da guerra cansadão e só quer ficar de boa. Ele perdeu tudo, deu seu sangue, sua vida, ganhou medalhas... e pra que? O que ele recebe em troca quando chega nos EUA? O mundo inteiro e o que é pior, seu próprio país, estão contra ele (uma clara referência aos movimentos de contra cultura – feministas, hippies, negros - dos anos 60 e 70), dizendo que ele não passava de um assassino e que aquilo por que ele deu a vida não fazia sentido. Em suma um bando de hippies sujos dizendo que ele era um monstro e, o que é pior, sendo ouvidos e recebendo apoio de governantes e pessoas de bem – leia-se homens, brancos, europeus. Não era o tipo de recepção que ele esperava ou merecia. Na figuração do enredo, Rambo é preso por um bando de policiais caipiras e despreparados, sofrendo maus tratos e humilhações desnecessárias, representado o próprio tratamento que os heróis de guerra receberam ao voltar para o seu lar. O cara agüenta até onde pode, e depois resolve enfrentar todos aqueles caras sozinho, mostrando o quanto eles eram insignificantes e imbecis. Nesse sentido o filme é um protesto contra os vários movimentos que se declararam contrários à guerra do Vietna nos anos 60 e 70, ou seja, os movimentos de contra cultura no geral (pacifistas, estudantes, feministas, movimentos negros, frentes de libertação ao redor do mundo). Não nos esqueçamos que o filme é dos anos 80, período em que o sonho americano já tinha escorrido pelo ralo, e os ideais dos anos 60 já eram vistos como viagens alucinógenas de maconheiros vagabundos. Muito antes de As invasões Bárbaras, Hollywood já colocava os anos 60 em questão para aplaudir de pé o seu fim. Ou, segundo Polansky (o bebê de Rosemary), para saudar a chegada do anticristo.

Por conta disso o filme tem uma estruturação mais interessante que os anteriores – o que não o torna melhor necessariamente. Só pra se ter uma idéia da diferença, nesse filme Rambo mata apenas uma pessoa, e ainda sem querer (ele só queria derrubar um helicóptero, tadinho). Isso porque se trata de um americano lutando contra americanos, que também são gente, e não animais como o resto do mundo. Trata-se de uma critica a uma ‘falha’ no percurso capitalista e que pra todos os efeitos já foi reajustada pela história – por essa época a guerra fria já agonizava e o capital ganharia uma batalha que de fato jamais existiu. Já no filme seguinte os inimigos são uma fusão de vietcongues, chineses e russos, ou seja, tudo comunista devorador de criança! Aí vira tropa de elite e ta liberado pra atirar em tudo que pintar pela frente.

Mas não deixa de ser interessante observar como o Stallonne procurava trabalhar com enredos e personagens mais ricos no começo da carreira – independente de serem conservadores, afinal, trata-se de Hollywood - em comparação com seus amigos musculosos, tipo Schwaznegger e Van Damme, que é porrada em tudo que se mexe. Aliás, o primeiro Rocky, para sermos bem honestos, é muito bom, sendo bem merecido o Oscar de melhor roteiro que recebeu. É impossível deixar de se emocionar com romance entre Adrian e Rocky, é de chorar, muito bem feito. O cara é tipo um Forrest Gump mesmo, bobão e totalmente loser. Tanto que nem ganha à luta... E ao mesmo tempo o filme não perde o ritmo, não te deixa entediado como a maior parte dos romances. Bota os filmes do Walter Salles, que querem ser tão profundos, no chinelo. Mas aí já é outra história...

E que venha o Rambo 4, porque eu sou fã do cara!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Links

Xi galera.. esqueci o principal.. postar os links!!
Desculpe por isso chefe.. então vamos por partes (como diria o bom e velho Jack).
É isso ae macacada, aproveitem porque os links expiram (saúde) e pra eu postar alguma coisa na internet demora bacaráio.

Tim Maia:
Racional:
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Tim Maia (1970)
http://rapidshare.com/files/97248952/TM__1970__TM0.rar.html

Simonal
A
legria Alegria Vol II
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Alegria Alegria vol I
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Marcos Valle
Garra (1970)
http://rapidshare.com/files/38615317/Marcos_Valle_-_Garra.rar.html

Previsão do tempo (1973)
http://sharebee.com/025a760b

Noriel VilelaEis o ome: (1968)
http://rapidshare.de/files/31518566/NorielTheMan-zl.zip

João Donato
A Bad Donato (1970)
http://rapidshare.com/files/30466252/A_Bad_Donato_-_1970.rar.html

Lulu Santos
Assim caminha a humanidade (1994)
http://rapidshare.com/files/64725157/Lulu_Santos_-_1994_-_Assim_Caminha_a_Humanidade__By_Brasilmidia_.rar

Jorge Ben
Africa Brasil (1976)
http://rapidshare.com/files/49437938/Jorge_Ben_Jor_-_1976_-__frica_Brasil_-_By_Brasilmidia.rar

Samba esquema novo (1963)
http://www.4shared.com/file/30516276/321585d5/15_-_Jorge_Ben_-_1963_-_Samba_Esquema_Novo.html?s=1

Jorge Ben (1969)
http://www.4shared.com/file/32218179/caa970bf/1969_-_Jorge_Ben.html?s=1

Toni Tornado

Toni Tornado (BR3) (1971)
http://www.mediafire.com/?bjemgjigmfm

Toni Tornado (1972)
http://www.turboupload.com/download/PIbX7eHu0PXH

Guilherme lamounier
Guilherme lamounier (1973)
http://sharebee.com/fbb82174

Di Melo
Di Melo (1975)
http://www.mediafire.com/download.php?5vj0s9zmajz
Farofa carioca
Moro no Brasil
http://rapidshare.com/files/41612330/Moro_no_Brasil_-_Farofa_Carioca.rar

terça-feira, 1 de abril de 2008

Minha Discoteca Básica de Música Brasileira - parte 1

Confesso que adoro esse papo de lista com os melhores, com os preferidos, com sei lá o que... já descobri muita coisa boa por conta de listas desse tipo, seja em blogs, seja em livros. Resolvi então fazer minhas próprias listas e disponibilizar os álbuns aqui pra galera passar a mão. Como em toda classificação, por mais tosca que seja, eu sigo alguns critérios, mas o principal mesmo é se eu gosto ou não do negócio. Se o disco é bom, mas me dá muito sono, por exemplo, eu não coloco. E por aí vai. Por enquanto só vai ter música brazuca, mas quem sabe mais pra frente eu faço com uns gringos também. Como é uma lista pessoal baseado nas coisas que eu escuto, vão ter umas ausências significativas, como por exemplo o Hip Hop, que com certeza deveria estar mais contemplado, ou o discos de artistas anteriores aos anos 50, pela falta de acesso mesmo. Mas é isso aí. Vou colocando aos poucos... devagar pra não cair.

“Tá com pulga na cueca” ou “Quem tá parado é viado” - Música Brasileira para Dançar.

Tim MaiaTim Maia (1970) e Racional (1975). Gênio. O maior músico Black que o Brasil já teve, tinha o talento raríssimo de converter a estrutura musical de outro país – no caso, basicamente, funk, soul, R&B, para outro contexto, brasileiro. O único que conseguiu fazer isso até hoje, pelo menos de forma mais consistente. Dois discos monstruosos, o primeiro, mais R&B, e que já continha fusões e mesclas com regionalismo, além de uma sonoridade que não se encontra em nada no gênero que foi feito por aqui. E a guinada que ele deu em sua vida e em seu estilo com o Racional, mudando para o funk que de melhor havia na Montown.


Marcos ValleGarra (1971) e Previsão do Tempo (1973) – Marcos Valle começou como um bom moço que fazia uma bossinha interessante, com linhas melódicas diferenciadas. Mas apesar de seus discos serem realizados com muita maestria, ficava aquela sensação de mais do mesmo (pra ele mesmo inclusive)... algo do tipo.. ah não, uma nova geração de bossa novistas... já deu! Então por essa época, os maravilhosos anos 70, o cara descobriu a música negra norte americana e pirou, começando a fazer discos mais cheios de swing e balanço, mas sem perder a complexidade harmônica e melódica da Bossa. O Garra é mais elaborado, cheio de arranjos complexos para cordas, corais maravilhosos, com muitos sons numa pegada Simonal, e até um dos melhores soul brasileiros (Black is beautiful) em versão excelente. O segundo é menos grandiloqüente digamos, o sintetizador faz as vezes das cordas, mas mantém a mesma qualidade musical aliado a vontade de mexer com as cadeiras. E sem contar que tem um dos melhores grooves da nossa música – É mentira – aquele que o Planet Hemp sampleou em contexto. Dois discos incríveis, uma coisa meio White Black Music... RS.

Noriel VilelaEis o ‘Ôme’ (1968) – samba rock macumbeiro com vozeirão de Exu tranca rua. Esse é o dezesseis toneladas minha gente. Um puta discaço cheio de influência negra, tanto no som, um samba rock bem cru, com o órgão comendo solto em primeiro plano, como nas letras, todas de umbanda. Vale muito a pena.

João DonatoA Bad Donato (1970). Um disco de funk instrumental feito por um cara meio bossa nova que decide rever suas antigas composições a base de ácido e música de criollo. E o resultado é um groove de altíssima qualidade, pesado e sujo como deve ser, no naipe dos grandes discos do Herbie Hankoc. Realmente incrível.

Lulu SantosAssim Caminha a Humanidade (1994). O terreno do Black pop, estilo Jamiroquai, ou o do mestremaior Michael Jackson, não é nem nunca foi a nossa praia. Mas um cara com o talento do Lulu pra fazer refrões pegajosos e música pop bem feita resolveu lá pelos idos dos anos 90 mudar sua pegada pop rock pra uma coisa mais Black, eletrônico e afins. O resultado é um dos sons mais dançantes da época, e muito bem produzido, de alto nível. E esse
disco particularmente faz a balada sozinho. Não é a toa que o Tim Maia gravou esse mané.

SimonalAlegria, Alegria (Vol I e II) Bom, o cara botou o maracanã pra inteiro pra fazer coreografia. Agora que o tempo passou, e esse papo de dedo duro já não faz tanto sentido (porque a ditadura pra nossa geração já não faz sentido também), a gente pode se aproximar mais desarmado do som do cara. Um estilo único – pilantragem - que desapareceu, e que faz com que a gente sinta vontade de rir dos filhos dele. Os arranjos e o piano do Camargo Mariano quebram tudo, e a interpretação é fantástica. As músicas têm um swing irresitível, e as mais lentas (muitas bregas) são interpretadas com bastante competência. Sem dúvida um dos artistas negros mais importantes do país.



Jorge Ben – Africa Brasil (1976), Jorge Bem (1969) e Samba esquema Novo (1963) – Gênio. Não tendo o talento alquímico do Tim Maia – de converter linguagens distintas, como a transfiguração de um poema para outra língua (mesmo porque quando a Black americana chega por aqui Jorge Bem já tinha sua própria linguagem), Jorge resolve o problema criando ele mesmo sua versão de música Black, e que é a música preta brasileira por excelência. Criou assim um estilo novo, revolucionário, dos mais frutíferos e criativos que já apareceram por aqui. Coloco aqui o primeiro, fenomenal, em que ele ainda se aproxima de João Gilberto, mas já com um estilo muito pessoal de interpretação e de tocar, em seguida o disco de 69, um de seus melhores trabalhos junto com o tábua de esmeraldas, e em seguida o seu encontro revolucionário com a guitarra, no Africa Brasil, e que não mais o abandona.

Toni TornadoBR3 (1971), Toni Tornado (1972) - o negão que decidiu bancar o papel de artista negro engajado – foi até preso por fazer a saudação dos panteras negras - logo viu que era muito mais negócio ser ator de segundo escalão na rede globo. Mas antes disso, ele gravou dois discos muito bons, cheios de swing e bem pegada. O primeiro tem estilos mais variados, e tem a tal da BR3 que fez sucesso. Eu particularmente estou ouvindo mais o segundo, porque tem a Mané Beleza, pra mim o melhor som do Toni Tornado, e outras funkeiras pesadas. Mas o primeiro é muito bom, e tem muita gente que prefere. Apesar das gírias forçadas e um certo ar de coisa copiada, constante na Black versão brazuca, o negão se sai melhor do que a média.

Farofa CariocaMoro no Brasil. Esse bem humorado grupo carioca, liderado pelo agora mala seu Jorge decidiu reinventar a tropicália em pleno anos 90, só que por sobre uma base Black. O resultado é de grande criatividade e bom humor. Um goove com cara nova e muita competência.

Di Melo – Di Melo. Um dos discos Black mais bem feitos e bem produzidos na nossa história. Só musicão, em interpretações primorosas, com arranjos e orquestração incríveis, músicos fantásticos, letras com melodia bem elaboradas. Pena que o cara só fez isso, porque é um trabalho realmente fenomenal. Tem funk, samba rock, sambinha, MPB de protesto, tango, regionalismos, tudo com a nossa cara. Excelente.

Guilherme Lamounier – Guilherme Lamounier (1973). Pois é, esse mano e nome afrancesado e que sumiu do mapa tem esse disco que lembra a pegada mais preta do rei no final dos anos 60, com alguma coisa de Toni Tornado e cia. O estilo de interpretação – fundamental na música Black – do cara é muito bom, sem parecer forçado, respeitando seus limites, e afinadinho. Os arranjos são ótimos, assim como o repertório. O resultado é muito bom, satisfação garantida.

sábado, 1 de março de 2008

Lista dos melhores discos do Brasil (I)


Essas informações foram tiradas do Blog do Menezes: http://sergio_menezes.blog.uol.com.br/arch2007-11-11_2007-11-17.html

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Depois de tanto falar em listas, aqui estão elas para quem não viu nas revistas ou não conhece o livro de André Domingues. Naturalmente, só os dez primeiros de cada uma.
Os 10 mais da Rolling Stone
1 - Acabou Chorare (Novos Baianos – 72)
2 – Tropicália ou Panis et Circencis – (Vários – 68)
3 – Construção (Chico Buarque – 71)
4 – Chega de Saudade (João Gilberto – 59)
5 – Secos e Molhados (Secos e Molhados – 73)
6 – A Tábua de Esmeralda (Jorge Ben – 72)
7 – Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges – 72)
8 – Cartola (Cartola – 76)
9 – Os Mutantes (Os Mutantes – 68)
10 – Transa (Caetano Veloso – 72)
Os 10 mais da Playboy
1 – Secos e Molhados (Secos e Molhados – 73)
2 – Carlos, Erasmo (Erasmo Carlos – 71)
3 – Garra (Marcos Valle – 71)
4 – Guilherme Lamounier (Guilherme Lamounier – 70)
5 – Tim Maia (Tim Maia – 70)
6 – A Bad Donato (João Donato – 70)
7 – Roberto Carlos (Roberto Carlos – 71)
8 – A Nova Dimensão do Samba (Wilson Simonal – 64)
9 – Ronie Von (Ronnie Von – 68)
10 – A Tábua de Esmeralda (Jorge Ben – 72)
Os 10 mais do livro de André Domingues (em ordem alfabética)
- Bebadosamba (Paulinho da Viola – 96)
- Cartola (Cartola – 76)
- Clube da Esquina (Milton Nascimento e Lô Borges – 72)
- 2 em 1: Rosa de Ouro (Clementina de Jesus, Aracy Cortes e Conjunto Rosa de Ouro – 65 e 67)
- Elis & Tom (Elis Regina e Tom Jobim – 74)
- O Grande Circo Místico (Chico Buarque e Edu Lobo – 83)
- O Mito (João Gilberto – 90)
- Paratodos (Chico Buarque – 93)
- Tropicália ou Panis et Circensis (Vários – 68)
- Urubu (Tom Jobim – 76)
Os melhores discos de cada década no Brasil da Vip
1950 – Chega de Saudade (João Gilberto – 59)
1960 – Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (Roberto Carlos – 67)
1970 – Meus Caros Amigos (Chico Buarque – 76)
1980 – Dois (Legião Urbana – 86)
1990 – Sobrevivendo no Inferno (Racionais MC’s – 1998)
2000 – Bloco do Eu Sozinho (Los Hermanos – 2001)

Lista dos melhores discos do Brasil (II)


Para quem ainda tem alguma duvida de que o rei é o melhor de todos...


Segundo a Rolling Stone e a Playboy, a melhor música brasileira foi produzida nos anos 60 e 70. Entre os 100 Maiores da Rolling Stone, estão 51 discos da década de 70 e 16 títulos dos anos 60. Entre os 50 Melhores da Playboy, aparecem 27 discos dos anos 70 e 15 da década anterior.

Detalhe: os dez mais das duas listas estão nessas duas décadas.

Os responsáveis por esses números são os tropicalistas, Roberto Carlos, Tom Jobim, Jorge Ben, Chico Buarque, Os Novos Baianos, Lô Borges e Milton Nascimento e os Secos&Molhados. É o que se fez de melhor no Brasil até hoje. Aí estão os primeiros discos dos Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé. O rock e o soul de Roberto. O folk e a psicodelia de Erasmo e Ronnie Von. A genial fusão do samba e do rock dos Novos Baianos. O erudito popular pós-bossanovista do elegante Tom Jobim. A androginia glam dos Secos&Molhados e a segunda fase dos Beatles (a partir de Rubber Soul) no Clube da Esquina de Milton, , Toninho Horta e Beto Guedes, entre outros.

A lista da Rolling Stone tem 5 discos dos anos 50 (dois de Dorival Caymmi); 14 dos 80 (10 do Brock, Arrigo, Itamar, o primeiro de Marisa Monte e Egberto Gismonti (Circense). Na Playboy, os 80 comparecem com 5 discos – Legião (As Quatro Estações), RPM (Quatro Coiotes) e Lulu Santos (Lulu), nenhum deles na Rolling Stone.

Os anos 90 aparecem 11 vezes na Rolling Stone e 2 na Playboy. Os 00 entram com 3 discos na primeira e 1 na segunda. Basicamente, Racionais MC’s, Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Los Hermanos. Para os 60 eleitores da Rolling Stone, Los Hemanos é a melhor banda brasileira do século XXI; dos três discos dos anos 00 que estão na lista, dois são deles – Bloco do Eu Sozinho e Ventura.

As duas listas permitem delimitar o período mais criativo da música brasileira. Ele vai de 1967 a 1976. O grande ano da nossa música foi 1972, onde está a maioria dos discos escolhidos e também os mais bem colocados.

E quem são os melhores ?

São os artistas com mais indicações de discos nas quatro listas.

1 - Tom Jobim: The Composer of Desafinado, Plays (63), Antônio Carlos Jobim (63), Wave (67), Matita Perê (73), Elis &Tom (74), Urubu (76) e Antônio Brasileiro (94).

2 - Gilberto Gil: Gilberto Gil (68), Expresso 2222 (72), Refazenda (75), Refavela (77) e Quanta (97), além de participar de Tropicália ou Panis et Circencis (68), do disco com Jorge Bem (Ogum Xangô – 75) e dos Doces Bárbaros (76).

2 - Caetano Veloso: Caetano Veloso (68), Transa (72), Araçá Azul (72), Qualquer Coisa/Jóia (75) e Cinema Transcendental (79), além de dividir Domingo (67) com Gal Costa e dos Doces Bárbaros.

3 - Jorge Ben: Samba Esquema Novo (63), Jorge Ben (69), Força Bruta (70), A Tábua de Esmeralda (72) e África Brasil (76), além de Ogum Xangô.

4 - Roberto Carlos: Jovem Guarda (65), Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (67), O Inimitável (68), Roberto Carlos (69) e Roberto Carlos (71).

5 - Gal Costa: Domingo (com Caetano Veloso, 67), Gal Costa (Gal Costa – 69), Fa-Tal – Gal a Todo Vapor (72) e Cantar (74), além de participar de Tropicália ou Panis et Circencis e dos Doces Bárbaros.

6Mutantes: Os Mutantes (68), Mutantes (69), A Divina Comédia Humana ou Ando Meio Desligado (70) e Jardim Elétrico (71), além de participarem de Tropicália ou Panis et Circencis.

6 - Paulinho da Viola: Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida (70), A Dança da Solidão (72), Nervos de Aço (73) e Bebadosamba (96), além de dividir com Elton Medeiros Na Madrugada, de 66.

7 - João Gilberto: Chega de Saudade (59), João Gilberto e Stan Getz (64), João Gilberto (73) e Amoroso (77).

7 - Tim Maia: Tim Maia (70), Tim Maia (71), Tim Maia Racional Volume 1 (75) e Tim Maia Racional Volume 2 (76).

8 - Chico Buarque: Construção (71), Meus Caros Amigos (76) e Paratodos (93), além de O Grande Circo Místico (83), com Edu Lobo.

9 - Elis Regina: Elis (72), Elis & Tom (74) e Falso Brilhante (76).

10 - Milton Nascimento: Clube da Esquina (72), Milagre dos Peixes (73) e Geraes (76).

Quais são os melhores ?

Somente 5 discos aparecem em três das quatro listas. Segundo a pesquisa, são os melhores entre os melhores. O ranking foi estabelecido pela colocação dos discos nas listas.

1 - Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (Roberto Carlos – 67)

2 - Secos e Molhados (Secos e Molhados – 73)

3 - Cartola (Cartola – 76)

4 - Tim Maia (Tim Maia – 70)

5 - Falso Brilhante (Elis Regina - 76)

É o que temos, caríssimos leitores. Isso explica muita coisa.


Tirado do Blog do Menezes: http://sergio_menezes.blog.uol.com.br/arch2007-11-11_2007-11-17.html

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

A renovação do novo - Cidadão Instigado



Quando surgiu, o grupo CSNZ causou uma revolução na cena musical brasileira como não se via desde a Tropicália, devido em grande parte à genialidade (para mim, comparável a de Jorge Ben e Gilberto Gil) do Chico Science, que conseguia fazer letras que unia politica e poesia (esta que falta ao Mundo Livre, por exemplo), além de conseguir fazer a fusão regional e cosmopolita pelo ritmo e tom imprimidos às letras e de ser de longe o melhor cantor do manguebeat, um intérprete explêndido.

Depois da morte de Chico, o movimento modificou-se e expandiu. O próprio Nação tomou consciência que não poderia continuar fazendo o mesmo trabalho e deu uma guinada no seu estilo. Acertaram. Apesar de deixarem de ser revolucionários - o seu novo tipo de som se encaixa muito mais facilmente no estilo 'pop rock intimista com climinha' que está atolando o cenário mundial - eles continuam sendo a grande banda do movimento, sem tentar ser cover de si próprios... o que teria um resultado desastroso, pois para tanto, é preciso ter um gênio como Gil ou Chico.

A prova de que esta fusão é muito difícil de ser alcançada, é que os grupos posteriores (com excessões) abandonaram a empreitada. Alguns se voltaram para o 'regional' mais puro, estilizado ou não (Comadre Fulozinha, Mestre Ambrósio, Cordel do Fogo Encantado), outros se voltaram mais para um som mais intimista, pontuado ou não com ritmos nordestinos, e fazendo referência (o que é diferente de fazer uma mistura de fato) a estilos diversos, do samba ao beach, mais influenciados por Mundo Livre - inclusive no vocal desafinado, que as vezes funciona, outras não - não basta desafinar, tem de saber usar essa característica no interior da estrutura musical de forma expressiva, vide Tom Zé, e o mestre maior, João Gilberto. É o caso do Mombojó, Eddie, Bonsusseso... Outros ainda resolveram misturar tudo isso em bases eletrônicas diversas, como um certo Nação fez no disco amarelo, pra mim, o melhor pós Chico.

De fato, a mistura regional\cosmopolita é por esses novos grupos encarados de forma diversa, não como uma necessidade de fazer um significar o outro - como o CSNZ ou o Tropicalismo antes dele, em outra linha- mas antes como uma liberdade de usar livremente ora um, ora outro. E apesar de ser ainda desse movimento que sai os grupos mais interessantes do Brasil, porque são obrigados a arriscar (curiosamente, é o mercado que os obriga a serem origianais e novos a cada disco - isso porque a nova linguagem inaugurada pelos Los Hermanos ainda não rendeu frutos relevantes, e talvez seja melhor assim) é certo que nenhum grupo desde a primeira geração havia me chamado a atençao como algo realmente novo.

O paradoxo é que apesar dos grupos produzirem misturas interessantes, era como se nós já soubéssemos quais seriam os ingredientes - uma pitada de regionalismo, samba, rock, música eletrônica. E nada também parecia ser tão visceral como o Nação, seja pela inferioridade das letras e dos intérpretes, seja pelo abandono da linha funk, que misturados à batucada fazia a revolução musical dos negros americanos reencontrarem suas origens, com resultados quase ritualísticos. Todos os grupos acabam soando algo morno, mpb. Não que não fossem bons, mas nada extraordinário e/ou marcante.

Até que eu conheci esse grupo, que é mais recente, o Cidadão Instigado. Ele também pega os vários estilos e se utiliza ora de um, ora de outro, muito mais do que tentar fundi-los. Até aí, nada de novo. Mas o conjunto de referências que ele utiliza segue um paradigma novo... Amado Batista com Frank Zappa? Isso com o vocal mais desafinado e esgarniçado desde Tom Zé, só que
plenamente consciente, fazendo com que as 'limitações' joguem a favor musicalmente. E com letras verdadeiramente 'instigantes', (os título - os urubus só pensam em te comer, o pobre dos dentes de ouro... já dão uma idéia) com imagens bastante originais. Os caras são capazes de fazer uma rock progressivo de 12 minutos que começa meio Alceu Valença, passa por Pink Floyd e muda pra Frank Zappa, e na faixa seguinte fazer um som brega no melhor estilo Amado Batista. Ou então fazer um improvisso algo jazzístico por sobre uma base de teclado anos oitenta, dos mais fuleiros e característicos da época, com uma letra que versa sobre vacas agonizantes. Reivençao da psicodelia? Apesar do princípio ser o mesmo - referência a tudo e a todos - as misturas são as mais criativas que eu tive oportunidade de acompanhar nos últimos tempos. Além das referências serem originais, os caras não estão preocupados em seguir aquela linha clean, mais acessível, tipo mpb. Eles seguem mais as lições do rock progressivo e psicodélico, de passagem de um estado a outro. O que se ganha com isso é que as inúmeras influências aparecem em tensão (servindo por exemplo para mudar o sentido da música, acompanhando uma mudança de sentido da letra) ao invés de colocadas como equivalentes, como se fossem
objetos culturais que estivessem aí para ser usados sem crise, como o que acontece na maior parte das bandas de hoje que, apesar de tomarem Tom Zé como seu padrinho, fazem o exato oposto daquilo que o mestre ensinou com sua estética do plágio. A junção de centro e periferia ou cria algo novo, que ressignifica a ambos (como o nação, ao subordinar o centro à periferia, creio que pela primeira vez na nossa música, pois os movimentos que se via até então tiravam sua força de realizar o movimento inverso), ou aponta para a impossibilidade de fusão, como faz Tom Zé e a Tropicália, criando aqueles monstrengos sonoros.

Sem mais blablabla... baixa ae:

O CICLO DA DE.CADÊNCIA



http://www.mediafire.com/download.php?5m3dmwt91ci

E O MÉTODO TUFO DE EXPERIÊNCIAS



http://www.mediafire.com/?cdi4o99mxjy